sábado, 15 de janeiro de 2011

- E agora? - E agora estou bem.

Sinto muito, mas a dor fez-se sucumbir. As doses letais do amor estão sendo expelidas aos poucos. O coração se regenera lentamente. O egoísmo e a negação funcionam agora como glóbulos brancos, eles agora me protegem. Rezo para que sejam fortes o bastante e suportem esses dias finais de febre e intensa agonia, segundo o diagnóstico. Depois será preciso nutrir. Como? Como eu não sei. Me falaram que minha saúde suporta apenas três dessa. Estou otimista com isso, ainda restam duas.

O remédio também não sei, mas o exílio fez muito bem, obrigado. Certos lugares podem funcionar como uma Unidade de Tratamento Intensivo. Olinda foi minha UTI. Certos amigos parecem a equipe de Dr. House do seriado americano. Eles sentam, vêem os sintomas, os órgãos atingindos e o que mais couber. E só depois ajudam. Cada um com parcela de contribuição, assim como um time. Agora não me pergunte mais nada, estou satisfeito com o resultado e isso para mim basta.

Você que gostou de ver minha doença, não parece conformado com minha cura. Por que tantas perguntas? Por que querer me ver sangrando lentamente? Estou bem agora, não precisa mais de tudo isso.

Depois dessa minha fase, ainda tenho (in)sanidade para os sonhos. Antes murchos como maracujá velho, agora parecem mais maçãs lisinhas, coradas e doces.

As ambições? As ambições são poucas, mas são intensas e sadias. Me assustam essas suas perguntas, está parecendo querer me colocar contra a parede. Não precisa se referir a mim nesse tom grosseiro. Bem, está certo, eu respondo essa. Eu só queria ter a chance de interpretar o Capitão Garfo (com direito ao bigode postiço, capa vermelha, chapéu semi-pontudo preto com uma pena vermelha na extremidade, sotaque carregado e rígido e, na ponta de cada mão, escondidos sob as mangas compridas, um garfo e uma faca) para meu herdeiro birrento sem vontade de comer. Ou colocar as bonecas horríveis da Barbie no fundo do congelador enquanto incentivo à brincar pé-de-barra com os moleques na rua. Adoraria ver o garoto com a ponta do dedão ensanguentada por uma topada no paralelo da pracinha enquanto jogova bola.

Veja bem, o sol já nasceu para mim. Não é mais necessário isso. Estou bem, cada vez um pouco melhor. Você também. Então vamos seguir assim, cada um nasceu para aquilo que hoje é. Não pode mais interferir em mim, nem eu em você.

Não fique com tanta raiva, você ainda pode ser meu amigo (no dia em que tiver enjaulado).


Adeus,
Jorgin, O Maneiro.

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