Bem, a pouco cheguei ao nono (talvez último, não sei bem) episódio da 4ª temporada do melhor seriado norte americano que já pude assistir, Lost. Melhor até que Heroes. Lost é viciante e envolvente e a Kate, a sardenta mais sexy que já vi, é um colírio.
Agora estou na república. Alan e Mael dormem como bebês e eu estou aqui, sóbrio, mas nem um pouco lúcido. Ouço o álbum Guentando a Óia (1996) da banda “pernambucana” Mundo Livre S/A. Pernambuco sempre me surpreende, sua cultura, seu povo, tudo isso reflete na musicalidade de alguma forma, e Mundo Livre S/A – diga-se de passagem, melhor representante do movimento manguebeat – sou eu encarnado em notas musicais e muito samba groove.
Tranquilo? Vou ao que não te interessa.
Tenho sonhado com freqüência, ou no mínimo lembrado dos sonhos ao acordar. É sempre estranho isso – tá aí uma palavra que conheço de perto.
Eu sou composto de frustrações e dores, isto favorece os sonhos. Essa é minha fraqueza... e minha força.
Os sonhos são como os morangos, delicados e apreciáveis. E imagino que, no leito de morte, à beira de um precipício, em seu último passo, só se pode pensar em uma coisa: nos seus campos de morango, aqueles que você cultivou durante toda a vida. Os sonhos na verdade, são doces como morangos. E perto da morte eu só quero provar um único morango que cultivei, pra parar de pensar em todo o resto, e manter a concentração no paladar, na doce poesia que posso degustar naquele morango carnudo e avermelhado. Pra não sentir dor. E aí? O que eu fiz? Não quero que meus sonhos murchem feito maracujá velho.
Lembrei de uma música de Oswaldo Montenegro, A Lista.
“Faça uma lista dos sonhos que tinha,
Quantos você desistiu de sonhar?
Onde você ainda se reconhece?
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava?
Quantos você conseguiu responder?
Quantos segredos que você guardava,
Hoje são bobos e ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantas canções que você não cantava,
Hoje assovia pra sobreviver?”
Pra mim isso é trágico. Eu só quero o gosto forte do morango em minha boca, não quero pensar em voltar no tempo, nem ficar me lamentando por aí. Tenho que seguir a trilha certa. Essa trilha só se segue quando não se pensa muito. Quando se faz por instinto, quando segue aquilo que realmente é e não aquilo que quer ser.
Isso é minha fraqueza que me faz mais forte. É uma faca de dois gumes. Cultivar morangos é ótimo, alimenta a alma, mas ao vivo a vida pode ser bem pior.
Eu tento seguir a máxima de Wally Salomão: “Eu tenho os pés no chão, mas a cabeça eu gosto que avoe”.
Quero meus campos de morango para todo o sempre. Quero lembrar de cada semente, cada furo na terra, cada dia que levantei cedo e reguei com cuidado, cada fruto que deixei cair, cada fruto que compartilhei com os outros, aqueles que peguei com meus pais e amigos, os que apodreceram, quero lembrar de cada praga e como detê-las. Quero lembrar das dificuldades de cultivá-los e dos lucros que podem me dar, sem esquecer das chances de prejuízo.
Amigo, se teu próximo passo for o último e você olhar para o lado e não ver nenhum campo de morango, a dor será tudo que te restará.
E se você for um sonhador, guarde um sonho bom pra mim.
Sinceramente, às vezes sonhar cansa.
“O sonho ainda não acabou”
Jorgin, O Maneiro
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