Acabei de assistir Dersu Uzala, um clássico de 1974, com a direção de Akira Kurosawa. O filme mostra a brilhante alma de Dersu e assim, abro parênteses para essa passagem:
Soldados param para se divertir tentando acertar um tiro numa garrafa em movimento amarrada em uma árvore.
Dersu, que os acompanha na expedição, não entende:
- Por que atirar?
- Só para nos divertir. Um passo para atrás, Dersu.
- Desperdício de balas, ruim.
- Que desperdício? Somos soldados, estamos praticando.
Três deles tentam e não conseguem, então Dersu fala:
- Um bom atirador não perde.
- Vá em frente velho, tente você.
- Por que atirar e quebrar? Por que quebrar? Onde na floresta você vai achar uma garrafa?
- Está tentando desistir? Admita que não quer fazer isso.
- Não vou atirar na garrafa. Atirarei na corda. Se a garrafa cair, você me dá a garrafa.
- Atirar na corda? Vá em frente! Se você acertar a corda, encherei a garrafa de vodka.
Então colocam a garrafa em movimento pendular, Dersu acerta a corda, pega a garrafa e à noite está bebendo e cantando sozinho iluminado por sua fogueira.
Depois do filme passo a escutar o saudoso álbum Lucille, datado de 1968, do bluesman B. B. King. Lucille é o título da primeira música e é como B. B. King chama carinhosamente sua guitarra.
Muito bom isso tudo, mas... De vez em quando, é bom falar dos fracassados.
Tenho pensado ultimamente em o quanto vale uma amizade. Ou melhor, em o quanto vale perder uma amizade.
Algo dito na hora errada é motivo para um rompimento?
Um conhaque com mel e limão reataria?
Êta vidinha besta, meu Deus...
Humanos... Eles complicam as coisas, gostam disso. São os mais racionais possíveis. É a única inteligência que os interessa.
Particularmente, dou muito valor aos amigos, muito mais do que merecem. Quando há um rompimento perco minha dignidade e chego até a me humilhar. Não me importo, só quero ter mais um do meu lado e não contra mim. Essa é uma coisa que facilitaria muita coisa, acredito. Se tivessem menos orgulho e parassem de pensar racionalmente...
De qualquer forma, tudo tem um limite. Não chagarei ao ponto de lamber os pés e abanar o rabo pra ninguém.
“Tá com rancor? Não quer facilitar? Não fala mais? Passa e não vê?
Agora eu quero que você exploda! Haha.”
Aí se conhece a pessoa. Onde se tira a máscara e enxerga no fundo dos olhos a alma. E vê que esta alma não é afinal de contas tão brilhante assim. Na verdade, ela ofusca e disfarça. Eu já estou calejado disso, e então me torno arrogante e indiferente.
Amigos, quero vocês sentados na mesma mesa que eu, tem cadeira e bebida pra todo mundo. Mas se não quer sentar eu te convido novamente. Insisto mais um pouco, até me tornar chato. Ainda não quer? Tudo bem, minha mesa é aquela, quando quiser venha. Se teu orgulho for maior que minha dignidade, quero que sente em outra mesa, vai ter cadeira sobrando, mas não é mais para você.
Saudação a todos
Jorgin, O Maneiro.
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