sexta-feira, 9 de maio de 2008

Man Vs. Wild

Crossroads. Recomendo! Excelente filme. Dirigido por Walter Hill, rodado em 1986 e tem como protagonista Ralph Macchio – aquele carinha do Karetê Kid, o pivete –, que interpreta um garoto branco da classe alta que quer ser um bluesman. Mas pra isso, não basta tocar um blues, tem que viver o blues. E conhecendo o velho gaitista Wille Brown, amigo do finado-saldoso-bluesman-fodão-do-capeta Robert Johnson, ele chega à encruzilhada e sente o blues além dos acordes com sétima.

Inspirado pelo filme, ouço Robert Johnson, aquele velho blues do Delta do Mississippi. Algumas literaturas afirmam que foi assassinado por tiros, outras que bebeu wiski envenenado, que foi espaçando e tal e a lenda persiste. Entre um mito e outro, só posso firmar uma coisa: ele realmente morreu! Mas o que seriam das grandes personalidades sem os mitos? Não me importo com isso, mas sim com a obra. (Caro leitor, não te peço para ler nada. Até sei que é chato, mas se prefere continuar, é por sua conta e risco.) É em palcos de madeira, meio comidos por cupins, é que se tenta mudar o mundo. Já toquei em desses, mais ainda não um blues.

Mudando do cuzcuz de milho batido pela dona de mãos encantadoras para uma Baden Gold gelada num solzão da praia do Saco de um dia de domingo...



O assunto é sério e minha carne é mansa.

Talvez poucas pessoas me entendam. Como (mal) sabem, moro de um certo modo só. Isso tem os pontos positivos e negativos. Realmente ainda não sei se vale a pena, mas como forma de experiência e conhecimento de vida, é graciosamente agradável (bem sei que tenho alguns ‘luxos’, como não me sustentar financeiramente por exemplo, mas vale. Filmes como esse que acabo de assistir – se bem que um homem não se mede pela quantidade de filmes que assiste, mas sim com a quantidade de trabalho – me mostram que tenho que passar por isso e por coisa pior, e é o que venho buscando. Não que eu sinta prazer em sofrer, como é mesmo que se chama? Ah! Sadomasoquismo. Não é isso mesmo! Mas é quero um dia plantar uma árvore, escrever um livro, gravar um álbum e ter um filho, ou mais, de preferência. Para árvore quero fazer uma jangada, não uma jangada comum e bonitinha, mas um que me faça tremer os joelhos quando vê-la. Do livro espero que somente as pessoas que façam parte de minha vida o tenham, nem precisa ler, afinal de contas sou péssimo nessas coisas, você sabe disso. Do álbum espero escutá-lo todos os dias, é evidente que não vou cantar, só quero vibrar a cada pizzicato, thumb e slap que eu executar. E finalmente – agora sim cheguei onde você talvez me entenda na parte que antecede esse parênteses imenso e fabuloso que estou prestes a fechar, aliás, esse está sendo o parênteses mais importante da minha vida – do filho ou filhos, espero ter muitas, mas muitas mesmo, histórias para contar. Tanto fatos surreais, quanto sonhos reais, entre um e outro estão dentro os delírios e as frustrações).

Caríssimo, deve estar cansativo, talvez até desagradável. Estou lento e não cheguei nem a uma milha de distância. Mas se você chegou até aqui, seja forte e continue. Não sei a causa que te fez chegar aqui, mas... Esquece, em suma, continue!

Como a um tempão atrás eu estava escrevendo, moro só e pan e tal... Uma coisa me chamou atenção a pouco tempo atrás. Sou um sujeito que até algumas horas me considerava preparado.

Bem, vim do interior morar na capital (não que seja uma capital escrita com letras de fôrma, mas é aqui onde as coisas crescem nesse estado), e como dizia Raul Seixas, “ao chegar do interior inocente, puro e besta”. Na língua aracajuana eu não sabia falar um “oi” ou dar um “tchau” com a mão. Aprendi muita coisa nesse meio tempo. Aprendi que não se deve confiar em motoristas de ônibus, por que eles não têm mães. Aprendi também que um macarrão só está no ponto quando o arremessamos no azulejo e ele gruda. Aprendi que não se deve fazer cobrinha perto de um canal de esgoto e por aí vai... Extraindo o importante disso aí eu pensava que sabia “me virar”, que já era “crescidinho” e estava virando “alguém”. Mas uma coisa me fez refletir (filosofia barata, na verdade). Puta que pariu!!! Me deu uma dor de barriga miserável. Minha barriga parecia aquelas de um alemão pós-segunda-guerra-gordo, uma boina verde com uma pena branca na cabeça, um par de botinas nos pés e um calção também verde segurado por alças que atravessam os ombros, sendo que em sua mão esquerda está um canecão enorme de vidro com chopp até a beirinha e sua outra mão limpa a espuma do chopp em sua bigode grisalho. Consegue imaginar a dimensão? Passei mesmo mal.

Mas eu sou “grandinho”, “sei me virar”. E agora o que faço? A quem recorro? Não posso sair no meio da madrugada para comprar remédio a quase meio quilômetro de distância nessas condições, nem sei mesmo o que devo tomar. Eu já rezei. Me deitei, sentei, levantei, pulei (esta última só fez piorar) e nada. Merda !!! Também não saia.

Agora só pensava em uma coisa, ligar pra minha mãe =/ (desculpe por este “emoticon”, mas estou sem graça e adoraria que você não fizesse comentário algum). Mas ela está a quilômetros de distância, não poderia me ajudar. No máximo indicar algum que remédio que só ela sabe que me dou bem, mas mesmo assim eu não sairia para comprar. O fato é que a voz, a preocupação que só uma mãe tem, me traz um suspiro e enche meus olhos de lágrimas (como estou agora) e isso me dá esperança. Vai passar!

Não pude vencer o “selvagem”. Perdi. Minha carne mansa perdeu. Ainda sou um quase nada e estou longe de conquistar alguma coisa. Se não fosse esta dor de barriga iria demorar mais para perceber isso. Senhor, muito obrigado por esta dor de barriga fabulosa no momento mais importuno. Obrigado também por ter um telefone celular e por minha mãe ter acordado. E obrigado pela minha cabeça oca de cabelinho de sapo.
Não quero e nem posso me exceder mais. Já já tenho que estar de pé para gritar ao mundo da varanda do apê que sou um lobo louco enfrentando o habitat que não deveria fazer parte.



Cordialmente (como nunca),
Jorgin, O Maneiro

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