sábado, 17 de maio de 2008

Elevador Vazio

Pra não cair na rotina, desta vez não acabei de assistir nenhum filme, mas para não perder o costume vou recomendar um que assisti ontem aqui, sozinho. Chama-se O Clube da Leitura de Janes Austen. Bem, a primeira pergunta que se faz é: quem, por cargas d’água é Janes Austen? Clareando um pouco, digo que é “considerada” (entres aspas, por favor) a segunda maior e mais influente escritora inglesa, a primeira colocação, todos devem saber, fica com Sheakespare. Acho que não preciso comentar a respeito dessas ‘listinhas’ que se referem a ‘Best-Sellers’ ou aqueles famosos ‘The Best Of’. Ou pior ainda, ‘Os 100 Melhores Filmes do Século’. Essas coisas servem só como referência, pelo menos pra mim. Não dou valor considerável algum. Voltando ao filme, assista! Não se trata de um filme ‘retrô’ no cenário de séculos passado. Se trata de um grupo de mulheres com problemas singulares que se juntam neste clube, que por ventura, um homem entra. Parece ser um tanto fútil, mas não é. De certo eu consigo extrair um belo sentido em qualquer merda, mas essa não é qualquer merda.

Banhado pela influência das ‘fêmeas sonhadoras’ (abro parênteses aqui para explicar um pouco desse meu termo. Acho isso brilhante, sou entusiasmado por essas fêmeas. Parece ser uma citação machista, com um cunho meio preconceituoso, mas é exatamente o oposto. Conheço essas fêmeas de longe e sinto uma atração – não sexual, exatamente – inexplicável e inquestionável. Paixão, amor platônico ou qualquer outra palavra de qualquer outro vocabulário não se encaixa bem nisso, mas deixo que você o considere), ouço Carla Bruni. Sabem quem é, não é? Incendiário isso! Além de ser uma pessoa super-agradável (deixo a responsabilidade desse comentário para a rainha inglesa), essa francesinha linda canta suas músicas autorais com um suspiro-rouco-baixo-ultra-mega-sexy. O álbum que ouço é o ‘Quelqu'un M'A Dit’ (Alguém Me Disse) de 2003 (atenção extra para a oitava música, Le Plus Beau du Quartier, tem um vídeo desta de um show publicado no youtube, assista e me diga o que achou daquela coisinha magnífica assoviando como um pássaro afinadíssimo raro que nunca se viu seu ninho em canto algum deste planeta). Se Deus me deixasse escolher uma pessoa para eu passar 24 horas em contato e logo após morresse, SEM dúvida, essa pessoa seria Carla Bruni. Morreria feliz e esqueceria todo esse blá blá blá de frustração de meia tigela.

Sem mais meias palavras e delongas...


A algumas horas eu estava numa festa regado a amigos, garotas, bebidas e cigarros. Foi numa quarta. Eu posso ser louco, mas nem tanto. Participei (claro), mas sem exaltação, pelo pouco de sanidade que ainda me resta. A situação que quero descrever não diz respeito à festa, mas sim ao que houve após ela.

Já era tarde, tudo tinha ido embora, o que restou foram os efeitos da boemia e o cheiro de cigarro nos cômodos. Já eram umas 4 horas da manhã e me deparo com um choro ao longe. Estranho isso depois de uma ‘animada’ festa. Mas sou curioso e fui conferir. Olha lá quem era: o ‘pegador’ deitado no chão aos prantos, como um recém-nascido que acabou de sair de um útero confortável e quentinho. A primeira reação minha poderia ser a de rir, a de qualquer um seria isso. Mas eu sou estranho. Fui dar atenção como quando se dá a uma criança que caiu no parquinho e ralou o joelho.

“Que houve, velho?”

Perguntei por perguntar, qualquer um saberia que a única razão para tal pranto só poderia ser uma fêmea (desta vez não como aquela que sou regado de paixão). Não ousaria chamá-la de vadia porque não seria justo com ela, já que o que me influenciara era o estado ‘cachorro-bêbado-aos-prantos’ do amigo.

“Jorgin, me empresta o celular!”

Um ser normal diria: “Só se eu for louco! Veja seu estado!”. Mas isso não se enquadra a mim. Fiz o seguinte. Disse a ele: “Olha só, todos bebemos e não estamos exatamente conscientes. Então vá lavar o rosto, beber uma água, forçar essa voz de moça e pegue o celular em cima da geladeira”. Era o que um bom amigo faria eu acho. Dei a chance dele fazer o que queria no estado de mais pura sinceridade e criatividade.
Fui tomar um banho e 20 minutos depois ouço umas risadas. Não, ele não vai ficar com ela, mas o pior já passou! O final do filme foi feliz, não o quanto queríamos, mas foi. Pelo menos naquele instante.

Tem mulheres que fazem coisas estranhas (no sentido ruim). Com essas não consigo ter o mínimo afeto, no máximo um atletismo. (Assim como não suporto os carinhas que conheço de infância e hoje faço questão de virar meu rosto aos vê-los passar).
E é com episódios como esses, que de um estado de profunda melancolia (sem viadagem), como um poeta que envelhece lendo Mayakovsky na porta de uma alguma conveniência, que aspiro a coisa que vale a pena. Porque até mesmo um copo vazio está cheio de ar. Se não, chega a morte ou coisa parecida e aí?

Oras, afinal de contas, ser tão só quanto um elevador vazio tem seu lado positivo... Eu sei que se mesmo que a vida não me trate com amor, insisto em viver.

Caro leitor, peço desculpas pelo tédio e a falta de conteúdo atraente. Como forma de arrependimento, e uma maneira objetiva de demonstrar minha desgraça nesse pasmo literário, espero que aceite este humilde e sincero bouquet de parênteses recém-desabrochados com um perfume ímpar e impagável: (((())))

Com açúcar e com afeto,
Jorgin, O Maneiro

PS: Ganhei um bouquet desse pela primeira vez com J.D. Salinger, no conto "Seymour, Uma Apresentação".

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