Depois de alguns anos de clausura, há sempre um retorno.
Naquele tempo eu lembro que morava numa república da capital. A tendência seria de lá partir para cima, mas não para baixo. Pois bem, voltei para casa dos meus pais, no interior. Pode rir, não tiro sua razão. O fato que é altos e baixos de anos atrás, hoje para mim não passam de retas pouco inclinados.
Tenho escutado os mesmos sons de sempre, assistindo cada vez menos a filmes, ido cada vez menos para apresentações musicais, shows e cinema. Por outro lado, tenho lido um pouco mais (que isso não me traga mais responsbalidade na edição desse blog, já que não tenho talento algum, nem para o amor, ou melhor, muito menos para o amor).
Tá vendo? Por que cargas d'água citei a palavra amor nesse contexto? Não havia sentido algum comentar isso, ainda mais referindo a um talento, e não como um sentimento como convém. Pode ser porque por mais que tente se enganar, por mais que queira uma carreira brilhante, por mais que queira ser um explorador, por mais que seja bem sucedido em tudo isso, jamais será completamente feliz. Isto é, há aqueles solitários que pensam em ser feliz com isso, mas se eles tivessem experimentado um grande amor na juventude, de certo, sentiram falta e estariam agora mirabolando alguma máquina do tempo para ter outra chance. Eu posso ser uma delas ou não, quem sabe?
Em se tratar da representação deste sentimento como um talento, vem, é claro, de experiências (evidentemente posso estar errado, e devo até estar, mas só afirmarei isso quando tiver um argumento convincente). É como se um discípulo de um certo monge, que certo dia trará uma cesta vazada (aquelas de palha mesmo) e pedisse para o seu discípulo trazer água do riacho para o topo da escadaria do mosteiro. Mas como poderia fazê-lo? Não restaria água alguma. Mesmo assim, teria que cumprir a tarefa do monge. Fez uma, duas, três... até perder a paciência com todas as tentativas frustradas e questionar o monge a respeito desta sua atividade, pré-julgada sem propósito, inútil, etc. Como todo monge (risos), sabiamente a atividade foi justificada: "Por mais que você passe por todas as situações possíveis, boas ou más, haverá uma sobrecargar de informações que jamais trará resposta alguma. Mas veja a cesta, não suportou segurar a água, porém ficou toda enxarcada. A mente não processa ou interpreta tudo para nos dar respostas, mas as experiências ficam, e ainda assim você aprende com elas".
Não sei se fui claro, acho que não.
Como diria Confúcio (ou Kung-Fu-Tse), filósofo chinês do século V-IV a.C.:
"Há três métodos para ganhar sabedoria: primeiro, por reflexão, que é o mais nobre; segundo, por imitação, que é o mais fácil; e terceiro, por experiência, que é o mais amargo".
Quanto a substituição do sentimento por talento se refere a habilidade. Um sentimento existe ou não existe. Não tem isso de existe um pouco, etc. Ou é ou não é. Todavia, uma habilidade pode ser intensa, mediana, fraca ou inexistente. Das duas uma, ou eu sou completamente hábil a ponto de melancolizar um filme de Almodóvar, ou pelo contrário, não tenho habilidade alguma, pois melancolizo um filme de Almodóvar. Não há mal pior que o ceticismo, porém até mesmo o amor que não compensa parece ser melhor que a solidão (como diria um amigo meu, "o mal do século").
Eu sei que não sou um poeta, um escritor, ou compositor. Eu sei que não escrevo coisas bonitas, mas isso não faz de mim menos artista quando se trata de sentir. Eu sei também, que posso ter até mais "habilidade" que certos cretinos que tem o dom da palavra.
Um forte abraço,
Jorgin, O Maneiro
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